Um sistema novo de RPGs



Antes de mais nada, leia o post O manipulador de espécies, que postei ontem. Depois que postei o texto, pedi para um colega meu (que joga RPGs clássicos) para avaliar o texto. Segue então o log da minha conversa com ele (editada, claro, e com autorização dele). É claro que quem tem mais noção de RPG vai entender melhor, mas acredito que os leitores não familiarizados vão entender:

Danilo:
Pronto
Rodrigo Flausino:
e qual é o seu parecer? pode maiar se quiser
Danilo:
Bem…
Rodrigo Flausino:
é o meu primeiro teste de RPG/Game Design e etc
Danilo:
Achei interessante só que a adaptação para um sistema ja existente traria algumas complicações para quem não domina totalmente os sistemas de RPG.
Rodrigo Flausino:
como assim?
Danilo:
Pq o seu texto da uma idéia superficial… agora transferir para um D&D por exemplo, já é outra historia…
Danilo:
O interessante seria não criar uma classe, mas um sistema próprio de regras
Rodrigo Flausino:
tipo, criar um novo D&D?
Rodrigo Flausino diz:
estruturar melhor essa idéia?
Danilo:
não, criar um sistema independente de RPG
Danilo:
Saca com regras para testes, fichas de personagens…..
Rodrigo Flausino:
sei
Rodrigo Flausino:
aí definir tudo do zero?
Rodrigo Flausino:
atributos, raças, mundos…
Rodrigo Flausino:
poderia usar o sistema D20, que parece ser “liberado” para ser adaptado
Danilo:
sim pode ser também… mas ai você tem que ter uma base bem sólida sobre as regras do d20
Rodrigo Flausino:
vc toparia criar um?
Rodrigo Flausino:
tem outro colega no MSN que joga RPG também. Quem sabe pode surgir algo interessante, pelo menos para disseminar conhecimento
Danilo:
Claro
Danilo:
tenho muito material aqui…
Danilo:
Creio que você deveria jogar um pouco^^
Rodrigo Flausino:
sim. Verdade
Rodrigo Flausino:
posso então usar este log desta conversa e postar no meu blog?
Danilo:
Claro… faça algumas alterações se quiser…
Danilo:
ou se não deixa como esta
Rodrigo Flausino:
blz. Vou ver se edito o log e posto hoje mesmo
Rodrigo Flausino:
falow
Rodrigo Flausino:
e valeu pelas dicas
Danilo:
Que isso prazer pra mim falar sobre rpg ahuaha
Rodrigo Flausino:
hehehehehe

Pelo que vocês viram, o cara já joga RPG já faz algum tempo. E aí ao conversar com ele que veio algo que eu não tinha pensado antes: um sistema completo de jogos de RPG. Alguns podem achar isso loucura, mas isso é praticamente um game design de um MMORPG. Porquê: simples: aqui eu vou desenvolver um sistema que seja adaptável e que possa ser usado várias vezes e durante muito tempo. Tudo bem que num jogo o desenvolvedor pode criar rotinas e re-usar as mesmas (como rotinas de IA e/ou movimentos usando técnicas de bones), mas depois que o jogo termina os desenvolvedores passam pro próximo projeto.

Um MMORPG nesse caso seria ideal, já que é praticamente a mesma coisa: e aí os criadores teriam de setar desde os atributos dos possíveis personagens, um ecossistema completo (Livro dos Monstros!), as raças dos personagens, e os mais difíceis: o próprio mundo: vegetação, cidades, como que seriam as casas; e a história deste mundo, que pode aparentar ser fácil, mas não é. Aliás, apenas a idéia de um jogo é fácil. O resto é o cão chupando manga!

Então to pensando seriamente em começar a criar um. Isso pode dar um know-how tremendo pros desenvolvedores e pros leitores, que podem realmente aprender a desenvolver um game design de um possível jogo online. E aí to abrindo pros leitores: vocês topariam entrar nessa? Caso a idéia vingue, posso abrir um novo blog (ou continuar postando aqui mesmo e com um feed específico) e quem sabe até mesmo instalar um fórum de discussão no meu site para discussões sobre este projeto e até mesmo sobre gamedev (mas é claro que não quero concorrer com a UniDev. Eu sou moderador de lá, mesmo não estando tão presente… e to devendo entregar os resultados do Contest de games…é foda ter de dedicar o seu tempo para outras coisas!).

Quanto aos outros projetos, com certeza vou continuar, mas tudo a seu tempo, e aos poucos as coisas vão caminhando, mesmo eu fazendo coisas demais. Pelo menos acabo ganhando assuntos que possam interessar a vocês.

Aguardo críticas, sugestões e opiniões!



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5 comentários para “Um sistema novo de RPGs”

  1. GravatarVinícius Godoy disse:

    Um novo sistema?

    Então você vai gostar de estudar esses artigos do GamaSutra:
    http://www.gamasutra.com/features/20070124/sigman_01.shtml
    http://www.gamasutra.com/features/20061018/sigman_01.shtml

  2. Gravatarmelchior disse:

    O sistema D&D de RPG deriva notoriamente dos livros de Tolkien. Elfos, anões, com suas classes e raças. Inimigos como Orcs, trolls. Toda mecânica de Tolkien com lógica, matemática e alguns dados gerou D&D. E tendo os maravilhosos livros de Tolkien como pano de fundo e todo engenharia de D&D num RPG massivo só poderia dar certo, e deu. Deu em Word of Warcraft.

    Tanto que para se candidatar a uma vaga na Blizzard, dona de World of Warcraft um dos requisitos é já ter mestrado uma partida de D&D. Entre outras palavras não dá para fazer um bom rpg sem nunca ter lido: O Senhor dos Aneis I, II e III, O Hobbit, O Livro do Jogador, O Livro do Mestre e O Livro dos Monstros. Onde está tudo ‘mastigado’ desde criação das suas próprias classes ou raças, além das existentes. Armas, geografia, religião, monstros entre várias outras coisas.

    Os MMO de hoje não procuram mais ‘a fonte’ (Tolkien D&D) apenas se atém a ficar ‘colando’ os features de WoW, se condenando a ser mais um MMO. (YAMMO - Yet Anoter MMO). Resultado? Wow com 9 milhões de assinantes e mensalidade em 15 doláres. Os outros 100 mil e de graça, isso quando não vai a falência por só ter picos de 200 players online.

    Uma boa porta de entrada em RPG no Brasil é o livro RPGQuest 1 muito fácil, muito simples. Sempre que tem alguém querendo aprender começo por essa, depois que a pessoa está gostando mostro D&D e outros sistemas.

    Tocando no assunto de Game Design li certa vez, li não sei onde, que uma SoftHouse fazia o teste com o candidato da seguinte forma: lhe dava uns dados, cartas, papel e caneta e desse material tinha que sair um jogo de tabuleiro bom, interessante e que você achasse que iria vender muito. Achei, no mínimo, interessante. Algo a se pensar.

    Este é um ponto de vista pessoal. ;)

  3. GravatarVinícius Godoy disse:

    Outro sistema interessante foi o da série Ultima, onde você escolhias as características do personagem respondendo algumas perguntas de uma cigana.

    Essas perguntas eram relacionadas a virtudes, que são peças fundamentais não só do jogo, mas de seu universo.

    Eu recomendo a leitura dessa página do wiki, que explica o sistema de virtudes:
    http://en.wikipedia.org/wiki/Virtues_of_Ultima

  4. GravatarTsu disse:

    Cara, vc já jogou o jogo de pc fallout?
    Então, eles estavam planejando adaptar o sistema de regras de GURPS (Rpg de mesa), mas aí a Steve Jackson Games não quis criar um livro sobre o assunto e não concedeu a licença.
    Aí, a galera do fallou criou seu sistema próprio o SPECIAL (Strengh, PErception, Charisma, Intelligence, Agility and Luck)
    e ficou muito bom!

    Agora, para ser um RPG massivo, tem q adaptar uma pá de coisa…o Neverwinter Nights 2, para ser online, deixou de ser turn based. E isso cria uma pá de problemas nas regras.

  5. GravatarTiagoFrossard disse:

    Olha, eu não sei se tem algo à ver, mas eu comecei minha história jogando AD&D e criando meu próprio mundo. Com o passar do tempo, eu notei que os jogadores que eu tinha estavam muito mais para o estilo Final Fantasy que RPGs de mesa propriamente ditos. Resultado: resolvi fazer tudo mais simples prá eles.

    Sim, eu acabei modificando o AD&D prá funcionar como o FF, com CA incremental (começando em 0, mais tarde usada no D20) por peça de armadura adicionada, 4 tipos de CA, resistência por status e coisas do gênero. Era muito mais dado na ficha, porém mais intuitivo prá quem veio do ambiente. Expandi os elementos e fiz o clássico “dano mais forte no elemento contrário” de todo RPG de videogame.

    Esse processo ae demorou uns 2 anos, no mínimo. De 2 em 2 meses maomenos eu refazia as fichas dos jogadores com alterações baseadas em dados que eu ia coletando nas aventuras. Deixei muita coisa aberta para que o próprio mestre escolhesse, como danos or queda e coisas do gênero: o importante era o fluir da aventura, não a veracidade das regras.

    Paramos de jogar no meu 2o período na faculdade. O trabalho apertou e eu não tinha mais tempo livre. Resultado final? todo mundo saiu feliz e satisfeito e eu terminei com material suficiente para idealizar a 1a versão do Jogo e expandí-la para a 2a versão (a do Nuss).

    Se você me perguntar se foi bom, eu digo q foi ótimo: já jogava RPG há anos, mestrava há quase todos eles, conhecia bem as regras do AD&D úteis e as inúteis. Mais que isso, sacava da dinâmica do jogo, da velocidade de uma mesa e do que prendia a atenção do meu grupo.

    Sem esse conhecimento, não haveria a menor chance de conseguir terminar a tarefa: é um trabalho absurdamente complicado, que torra um tempo absurdo tanto para desenvolvimento quanto pesquisas e testes. No início eu não trabalhava, passava a semana na internet lendo artigos de RPG e jogando jogos novos para poder criar e adaptar o que desse.

    De qualquer jeito, precisando de qualquer coisa, c sabe onde me encontrar.