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Gamedev é uma área como qualquer outra

Outubro 16, 2007  
Postado em Gamedev


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Inicialmente este post seria para responder uma pergunta do Tiago, mas acabou saindo de foco, e a resposta fica pra outro dia.

A questão do título do post é algo que pode causa polêmica na comunidade de gamedev do Brasil, mas decidi expor uma opinião minha.

Primeiro que, quem quer escolher a área de gamedev o normal é que o estudante já deve ter contato com videogames. Acho difícil alguém entrar na área e não ter jogado videogame antes. Além disso, quem quer fazer isso, tanto como hobby, quanto para quem quer se profissionalizar pra valer (creio que todos querem isso, mas o caminho é longo e tortuoso), já foi um gamer hardcore. Ou seja: já jogou muito videogame antigamente, já que um jogador casual nunca pensaria em transformar uma diversão em profissão.

O problema é que, como falei antes, gamedev é uma profissão como qualquer outra. Ou seja: quando você estiver na área, saiba que você terá de obedecer outras pessoas (caso seja empregado) e terá de fazer coisas que não vão te dar prazer. Exemplo: se você for modelador 3D, mas odeia fazer monstros, terá de fazer um para aquele projeto que você não queria que fosse aprovado. E vai acabar fazendo a contra-gosto, já que você vai estar ganhando dinheiro para isso.

Um dos maiores problemas é que a gente é sonhador, e esquece a realidade. A primeira é que você não vai conseguir um empregaço de gamedev de uma hora para outra. Você vai ralar no começo, pode tentar desenvolver um projeto inviável ou mesmo começar por baixo e ir caminhando aos poucos. Mas você vai ralar muito, e se você quiser apenas ser feliz, você não vai conseguir ser feliz.

Entendeu a última frase? Acho que não. Vou tentar explicar.

A maioria dos desenvolvedores de games hoje (os que estão estudando) acaba fazendo as coisas com mais prazer. Primeiro que você não tem prazos, e segundo que você não tem um chefe para te apressar e mandar você fazer alguma coisa. Mas também não vai estar ganhando bem para isso, e se tem um blog onde você posta as suas opiniões, ainda deve estar ganhando alguns trocados com o Adsense que não consegue nem pagar a conta da internet banda larga que você (ou a sua mãe) paga todo mês para você acessar a internet em casa no seu tempo livre.

Quanto ao lance de ser feliz e não conseguir é que hoje você pode estar feliz por ter desenvolvido um jogo no XNA, mas você ainda não está de verdade na área, trabalhando numa empresa de gamedev (ou está, mas como não sei, eu to chutando…). E se você apenas continuar sendo feliz hoje, fazendo games como hobby, pode não ser realmente feliz no futuro. Mas isso é uma decisão sua.

Alguns podem achar que eu to filosofando ou que eu estou escrevendo bobagens aqui. Outros podem achar que eu to xingando os desenvolvedores indie. Nem uma coisa e nem outra.

O que eu quero aqui é tentar mostrar o que eu acho da área. Eu quero sim entrar na área, mas eu tenho de ter noção de que quando eu chegar nela, sei que vou ter as mesmas encheções de saco que eu tenho atualmente no meu emprego: clientes amolando a gente, um chefe mandando a gente fazer coisas que não gostaríamos de fazer, um salário não tão digno da nossa capacidade, etc etc etc. Fora o sistema trabalhista atual, onde a gente tem que acordar cedo, e chegar na hora no trabalho, que pode ser longe da tua casa.

É o preço para você sobreviver.

Sinceramente, eu to cansado de desenvolver sistemas comerciais. To cansado de ter de saber SQL ou mesmo criar relatórios de emissão de notas fiscais. To cansado de escutar todos os dias a palavra Sintegra. To cansado de ficar no mesmo sistema todos os dias alterando códigos-fonte e não podendo exercer a minha criatividade criando coisas novas (como games e cenários).

Mas sei que posso ter mais prazer em desenvolver uma lógica complicadíssima de inteligência artificial para dar vida a uma hidra gigante do que mexer em cadastro de clientes. Vai depender do foco que a gente quer como carreira profissional. Mesmo ralando do mesmo jeito, pelo menos poderei sair do expediente mais tranqüilo, já que depois de um projeto de um game de maquiagem, posso ter outro projeto diferente para um game de aventura. Variar é bom, e isso é algo que eu procuro para mim hoje. E é algo que eu to investindo no meu tempo livre. No meu serviço, sou Rodrigo, o programador de Visual Basic. Fora dele, sou Rodrigo, do blog de games que está sempre estudando para a área de gamedev (pelo menos tentando arrumar tempo para isto) e conseguir realizar um sonho que descobri na faculdade: criar games, ou mesmo ajudar a criar um.


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